26 de mai. de 2013

PESQUISA NA MODELAGEM AUXILIA A EVITAR ERROS



A modelagem é uma das fases mais importantes do processo de produção de uma roupa. É nesta fase  de leitura e planificação do croqui que a peça começa a ganhar forma, identidade e até novas numerações.

Não basta saber desenhar, o modelista precisa estar atualizado com as tendências de fit, de volume, de novos tecidos no mercado e de comportamento. Antes de começar a traçar as modelagens, é necessário estudar todas as fibras que serão usadas na coleção. Analisar o movimento, o caimento, o estiramento, o encolhimento e a costurabilidade das fibras.

Imagem: Blog Cecilia máquinas de costura


Além disso, outros tecidos que compõem a peça precisam ser estudados e testados para evitar transtornos durante a produção ou após a venda. A análise do forro, aviamentos, acabamentos e até as lavagens podem reduzir as falhas na produção.

Outro ponto importante é o consumidor que está mais exigente e busca peças que proporcionem conforto. Para garantir essas qualidades, é importante conhecer o público-alvo e o corpo do consumidor que vai vestir a peça para desenhar um produto confortável.

Só depois de analisar todas essas variáveis é que o modelista deve partir para o desenho no papel ou em um CAD de modelagem.

PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO DE CONFECÇÃO


Garantir que os recursos produtivos estejam disponíveis na quantidade, no momento e no nível de qualidade adequados. Estes são alguns dos principais objetivos do Planejamento e Controle de Produção de Confecção (PCP) - setor que faz a ligação entre a área estratégica, tática e operacional nas empresas de confecção, conciliando o planejamento estratégico da empresa com as atividades desempenhadas diariamente no “chão da fábrica”.

Quando desenvolvido de forma correta, o Planejamento e Controle de Produção de Confecção traz uma série de resultados positivos, como altos índices de produtividade e qualidade, menor índices de falhas, menor custo de produção, entre outros.

Na
wiki do Instituto Federal de Santa Catarina encontramos o seguinte definição:
… [O PCP pode ser] definido como um meio, um apoio para a produção e compras
cumprirem suas finalidades de acordo com vendas. É um apoio de coordenação e não um apoio especializado. O PCP precisa entender um pouco de tudo e se envolver em quase todos os problemas da indústria. Seu enfoque é global.
É ele quem dirige e controla o suprimento de material e as atividades de processamento de uma indústria, de modo que os produtos especializados sejam produzidos por métodos preestabelecidos para conseguir um programa de vendas aprovado; essas atividades são desempenhadas de tal maneira que recursos humanos, facilidades industriais e capitais disponíveis são usados com a máxima vantagem.

Na apostila produzida para o
curso técnico de Moda e Estilo, o Planejamento e Controle de Produção de Confecção é comparado com o sistema nervoso no corpo humano. Na área de confecção, seu objetivo final é a organização de suprimento e movimentação dos recursos humanos, utilização de máquinas e atividades relacionadas, de modo a atingir os resultados de produção desejados em termos de quantidade, qualidade e prazo.

Na wiki encontramos, também, pré-requisitos indispensáveis para o Planejamento e Controle de Produção de Confecção. Entre eles, destaque para o conhecimento detalhado do produto acabado (sua constituição, como e onde ele é produzido), conhecimento do roteiro da produção, existência de facilidades industriais e de recursos financeiros compatíveis com o programa de vendas acertado, além do planejamento da capacidade.

Conforme o documento, existem três tipos de PCP, que podem ser utilizados em diferentes enfoques da produção:
  • PCP por fluxo: para produção contínua;
  • PCP por ordem: para produção intermitente;
  • PCP para projetos especiais: para produção de pedido de produtos fora de linha.

Fonte: Instituto Federal de Santa Catarina/Unidade Araranguá

Plotter têxtil: 5 vantagens do risco automatizado 


Nas confecções, o risco pode ser realizado de forma manual ou automática, com grandes vantagens do sistema automático. No processo automatizado, depois de desenvolver o molde no computador ou digitalizá-lo, o modelo é reproduzido em um plotter têxtil - espécie de impressora que produz desenhos em grandes dimensões.

Etapa fundamental no processo produtivo, o risco dá início à definição do encaixe da modelagem e aproveitamento de tecido, do forro e das entretelas começam a ser definidos.

 Reprodução


Ele dá origem à folha matriz (folha riscada com os moldes para corte) ou risco marcador - marcação realizada em uma folha de papel da largura do tecido e do comprimento da mesa de corte ou do enfesto. Os moldes são encaixados sobre o papel de modo a otimizar ou melhor utilizar a largura do tecido e comprimento da mesa.

Confira, abaixo, algumas características do risco manual e do risco automático:

Risco manual (direto no tecido ou sobre o papel)
- Lentidão na execução;
- O giz não se apaga;
- Tecido com elastano deforma o risco;
- Não permite cópias.

Risco Automatizado (uso de plotter têxtil)
- Economia de tempo;
- Permite manter uma cópia fiel do original;
- Arquiva os moldes para que se mantenham em perfeito estado;
- Largura de impressão na medida ideal;
- Qualidade na impressão dos riscos;
- Permite que o operador mantenha-se adiantado à produção dos enfestadores.

Fontes: Apostila de Costura do IFSC e Monografia da UFJF

FICHA TÉCNICA: DESCREVENDO O MODELO PARA A CONFECÇÃO


Etapa fundamental da produção, a ficha técnica serve de base para diversos setores da confecção, como modelagem, pilotagem e PCP.

Na fase de desenvolvimento técnico do produto é produzida a ficha técnica com os dados da peça. Neste documento, além do desenho técnico, o detalhamento descritivo do produto é disponibilizado – facilitando o trabalho de interpretação do modelo.

É na ficha técnica que todas as especificações da peça são disponibilizadas. Com os dados da ficha é possível fazer uma estimativa do material necessário para a confecção de uma determinada peça ou coleção, reunindo dados sobre a quantidade e tipo de tecido, grade de tamanhos, aviamentos, entre outros detalhes da peça.

Também é na ficha técnica que o modelista encontra as informações necessárias para interpretar a peça, desenvolvendo a modelagem de acordo com a proposta do estilista ou designer.

Abaixo, uma breve descrição de algumas informações que podem constar na ficha técnica: 
  • Cabeçalho: refere-se ao nome da peça, a coleção, a referência, a data, uma breve descrição e tudo o que pertinente à denominação do produto.


  • Desenho técnico do modelo: de frente e costa, se necessário lateral.




·         Dados dos materiais: podem ser divididos em principais e secundários, aviamentos e materiais de adornos em geral.



Outras informações podem ser disponibilizadas na ficha técnica, dependendo da necessidade e do perfil de cada confecção

Fonte: Clube Audaces/Desenho técnico: Vanessa Gonzato


Classificação dos aviamentos: função e visibilidade

Juntamente com os tecidos, os aviamentos são fundamentais na confecção de uma roupa. Além da utilidade, muitas vezes servem como elementos decorativos – garantindo um grande nível de detalhamento nas peças.

Em função desta dupla utilidade, podem ser classificados quanto à função e quanto à visibilidade na roupa. Quanto à função, podem ser componentes ou decorativos. Quanto à visibilidade, aparentes ou não aparentes, conforme mostra a tabela abaixo – publicada originalmente no livro Inventando Moda.



Crédito imagem: adaptado do livro Inventando Moda

Para evitar confusão na compra – que normalmente é conduzida por um setor específico, não pelo estilista – é importante que cada aviamento esteja identificado e catalogado, com uma codificação que seja compreensível para a equipe.

No livro, Doris Treptow explica que a codificação é organizada pela engenharia de produtos, através de um catálogo onde é anexada uma amostra do aviamento, seu código e sua descrição pormenorizada, especificando inclusive as cores em que o mesmo pode ser adquirido.

Para exemplificar ela apresenta o seguinte esquema:



Crédito imagem: adaptado do livro Inventando Moda


É importante, também, que todos os aviamentos utilizados em uma peça sejam listados na ficha técnica do produto, assim como o respectivo consumo por peça. Através deste documento, o PCP (Planejamento e Controle da Produção) pode transmitir ao setor de compras a quantidade que deve ser adquirida para atender a coleção que vai entrar em produção.

Fonte: Inventando Moda